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Mostrando postagens de junho, 2025

O Brasil Redescoberto - Augusto Nunes revela a outra face da República

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A história da República quase sempre é muito mal contada, o que torna descartável boa parte dos livros sobre o assunto. As obras “didáticas” são reduzidas a um desfile de datas, nomes, heróis imaginários, bravatas inexistentes e imagens fantasiosas. Foi sobretudo por isso que decidi criar esse curso. Você merece redescobrir o Brasil e conhecer o outro lado da República. É preciso entender de onde viemos para saber quem realmente somos. Só assim saberemos para onde vamos. ADQUIRA AGORA

Theodor Herzl e a utopia política do sionismo moderno

No último suspiro do século XIX, entre as brumas de um continente europeu que ainda ostentava a pompa do iluminismo tardio e as cicatrizes de um antissemitismo que insistia em sobreviver aos progressos da razão, ergue-se a figura de um homem franzino, de barbas espessas e olhar determinado. Theodor Herzl, jornalista vienense de origem judaica, não foi o primeiro a sonhar com o retorno dos judeus à Terra de Israel. Mas foi, sem dúvida, aquele que deu forma política e institucional ao que, até então, era uma nostalgia dispersa ou uma esperança religiosa escatológica. Como todo personagem que atravessa as grades do tempo e se assenta na história como símbolo, Herzl é fruto e artífice de seu tempo. Não se compreende sua trajetória sem considerar o ambiente que o rodeava: o Império Austro-Húngaro, com sua miríade de povos e tensões; o nacionalismo europeu em efervescência; a crise da identidade judaica entre a assimilação e a tradição; e, sobretudo, o espectro sempre presente do antissemit...

A Expansão para o Oeste Americano

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Como sou um grande fã de filmes e quadrinhos do gênero western, resolvi criar uma série sobre grandes nomes da expansão do Oeste Americano, ou expansão para o Oeste. Nossa lista inclui vários nomes, das mais diversas categorias, como exploradores, políticos, homens da lei e até pistoleiros famosos, divirta-se conhecendo essas figuras pitorescas. Annie Oakley: a rainha dos rifles no Velho Oeste Bat Masterson: do xerife ao jornalista do Velho Oeste Belle Starr: a rainha dos fora da lei do Velho Oeste Billy the Kid: Entre a História e a Lenda do Velho Oeste Billy Clanton: o pistoleiro que morreu antes de virar lenda Brigham Young: O Profeta que Construiu um Império no Deserto Butch Cassidy: o fora da lei mais simpático do Oeste Clay Allison: o pistoleiro que ria enquanto matava Charlie Utter: o dândi fiel do Velho Oeste selvagem Cole Younger: do pistoleiro fora da lei ao cristão pop David G. Burnet: O Presidente Esquecido do Texas Daniel Boone: o caçador que abriu a...

David G. Burnet: O Presidente Esquecido do Texas

No grande panteão da independência do Texas, os nomes mais celebrados são fáceis de lembrar: Sam Houston , o general vencedor; William B. Travis , o mártir do Álamo; Stephen F. Austin , o “Pai do Texas”. Mas há um nome que, embora decisivo, se encontra quase sempre nas margens da memória histórica: David Gouverneur Burnet . Presidente da nascente República do Texas durante seus dias mais turbulentos, Burnet foi uma figura que governou no vácuo entre o desastre e a glória , entre a queda do Álamo e a vitória em San Jacinto. Foi um homem de ideias firmes, postura nobre, temperamento difícil e uma habilidade notável para antipatizar com Sam Houston — o que, na política texana do século XIX, era quase um rito de passagem. Ele foi, como bem descreveria Paul Andrew Hutton, um estadista improvisado numa terra de soldados , cujo papel foi crucial — mas cujo reconhecimento jamais acompanhou a responsabilidade que carregou.   O Início: De Nova Jersey à Fronteira Mexicana   D...

William B. Travis: O Último Comando no Álamo

Na iconografia americana, o Álamo se tornou mais do que uma batalha: virou símbolo de resistência, sacrifício e espírito indomável da fronteira. E no coração dessa lenda está William Barret Travis , um jovem advogado do Alabama que, aos 26 anos, enfrentou 2.000 soldados mexicanos com uma espada em uma mão e uma pena na outra. Ele não viveu o suficiente para ver a liberdade do Texas. Mas antes de morrer, deixou uma carta ao mundo — talvez o mais célebre chamado ao heroísmo da história americana. Numa guerra marcada por homens brutos e momentos épicos, Travis brilhou com intensidade de estrela cadente. Um Jovem do Velho Sul   William B. Travis nasceu em 1809 na Carolina do Sul e cresceu no Alabama. Era filho do Sul, mas de espírito inquieto. Casou-se jovem, teve um filho, mas sua vida profissional e pessoal se tornaram insatisfatórias. Aos 20 e poucos anos, abandonou tudo — família, carreira, reputação — e seguiu rumo ao oeste, como tantos outros americanos movidos por promessa...

Santa Anna: O Ditador que Perdeu o Texas (E Voltou Nove Vezes ao Poder)

Poucos personagens históricos combinam melhor tragédia, farsa e grandiosidade do que Antonio López de Santa Anna . Herói da independência mexicana, déspota reincidente, violinista de salão e mestre da autopromoção, ele foi o arqui-inimigo do Texas , a figura cuja imagem ainda arde no imaginário americano como o vilão da Batalha do Álamo. Mas Santa Anna foi muito mais que isso. Foi um homem que subiu e caiu do poder nove vezes , que perdeu metade do território nacional, que organizou funerais de Estado para sua própria perna amputada — e que, mesmo assim, acreditava piamente ser o salvador do México. Ele era, nas palavras de muitos historiadores, “o Napoleão do Oeste” . Um apelido que ele próprio incentivava — mas que talvez devesse vir com um asterisco. Um Herói da Independência   Santa Anna nasceu em 1794 em Veracruz, em uma família modesta. Como tantos de sua geração, viu no exército o caminho para ascensão. Lutou, inicialmente, pelos espanhóis, mas rapidamente mudou de la...

Sam Houston: O Titã do Texas e a Alma Dividida do Oeste

Há figuras na história americana que não cabem facilmente em categorias. Elas caminham entre eras, ideias e contradições, como se pertencessem a dois mundos ao mesmo tempo. Sam Houston foi uma dessas figuras. Um guerreiro e um estadista. Um amigo dos índios e um general implacável. Um sulista que se opôs à secessão. Um homem que se tornou sinônimo de um território inteiro — o Texas . Sam Houston foi mais do que um nome de cidade. Foi a personificação de um momento febril da história americana , quando fronteiras eram desenhadas com sangue, e o destino de povos inteiros era decidido por homens com pistolas no coldre e Bíblias no coração. Da Fronteira à Política   Nascido na Virgínia em 1793 e criado nas florestas do Tennessee, Houston era um espírito selvagem desde a juventude. Após a morte de seu pai, fugiu de casa e foi viver entre os cherokees , adotado como um dos seus. Aprendeu a língua, usava trajes indígenas, e até recebeu o nome de “Corvo Branco” . Essa convivência mol...

Zachary Taylor: O General Relutante que Chegou à Casa Branca

Na longa procissão de presidentes americanos, poucos chegaram ao topo com tanta relutância — e menos preparo — quanto Zachary Taylor . Um homem de fronteira, casacas amassadas, fala direta e espírito marcial, Taylor não buscava o poder, tampouco entendia de política. Mas a glória militar, como tantas vezes na história americana, falou mais alto do que plataformas ou partidos. Veterano de guerras contra os índios, herói improvável do conflito contra o México e símbolo de uma América que idolatrava seus generais, Taylor foi catapultado à presidência em 1848 com uma biografia que mais parecia um episódio de folclore nacional. Um Soldado do Oeste   Nascido em 1784 na Virgínia e criado no Kentucky, Taylor era tudo o que os Estados Unidos romantizavam na época: um homem simples, rústico, firme . Entrou para o Exército aos 24 anos e permaneceu por quatro décadas. Lento na fala, impaciente com burocracias, e avesso a uniformes formais, seu estilo lembrava mais um fazendeiro do que um ...

A Guerra Mexicano-Americana: Quando o Destino Manifesto Empunhou a Espada

A história da América não é apenas escrita com penas e tinta — ela também foi forjada com pólvora, aço e ambição. E poucas guerras ilustram isso com mais clareza que o conflito entre Estados Unidos e México, entre 1846 e 1848. Uma guerra curta, mas de consequências longas; discreta, mas devastadora. A Guerra Mexicano-Americana foi mais do que uma disputa de fronteiras. Foi o choque entre dois mundos — um jovem império emergente, e outro em fragmentação. Foi o momento em que o Destino Manifesto deixou de ser uma ideia poética e se transformou em uma força militar, conquistando metade do México e dobrando o mapa dos Estados Unidos. A Sombra de Polk e o Estopim Texano   Tudo começou com o Texas . Após declarar sua independência em 1836, o território texano foi reconhecido como república, mas não por seu antigo dono: o México. Para os mexicanos, o Texas ainda era parte de sua nação — uma província rebelde, perdida por traição e cobiçada pelos americanos. Quando James K. Polk a...

James K. Polk: O Presidente que Conquistou um Império

Na galeria dos presidentes americanos, poucos foram mais eficazes — e mais esquecidos — do que James Knox Polk . Não há monumentos grandiosos em Washington que levem seu nome. Seu rosto não aparece em cédulas ou moedas. Mas se o mapa dos Estados Unidos hoje se estende do Atlântico ao Pacífico, se a Califórnia é um paraíso tecnológico e o Texas um gigante geopolítico, é porque Polk assim o quis. E ele fez isso em apenas quatro anos. James K. Polk foi o presidente do Destino Manifesto , o homem que incorporou à política externa o espírito agressivo dos pioneiros e tornou a expansão territorial uma missão divina. Fez do país uma potência continental — à força da diplomacia, da guerra e da obstinação. Um Discípulo de Jackson   Nascido em 1795 na Carolina do Norte e criado no Tennessee, Polk era, em essência, um filho da fronteira. Cresceu sob a sombra de Andrew Jackson , e absorveu dele mais do que ideias — herdou sua dureza, seu populismo e sua crença feroz na autoridade presiden...

Stephen F. Austin: O Pai do Texas e o Sonho Americano no México

Antes do som dos tambores da guerra, antes das bandeiras rebeldes em Goliad e do sangue derramado em Alamo, havia um homem de fala calma, terno de linho, caneta na mão e mapas no bolso. Ele não disparou as primeiras balas, mas traçou as primeiras linhas. Seu nome era Stephen F. Austin , e se o Texas é hoje parte do imaginário épico dos Estados Unidos, foi ele quem escreveu o prólogo desse drama. Mas cuidado: como toda grande figura do Velho Oeste, Austin vive entre a lenda e o paradoxo. Foi colonizador e pacificador, diplomata e conspirador, defensor da lei mexicana e arauto de sua ruptura. Para entendê-lo, é preciso olhar para um tempo em que a fronteira não era apenas um espaço geográfico — era uma ideia em disputa. Herdeiro de um Sonho — e de uma Concessão   Stephen Fuller Austin nasceu em 1793 na Virgínia, mas cresceu respirando o ar movediço das fronteiras. Seu pai, Moses Austin, foi um especulador audacioso — desses que enxergavam oportunidades onde outros viam apenas po...

Brigham Young: O Profeta que Construiu um Império no Deserto

Na longa e tortuosa trilha da história americana, poucos personagens personificam de forma tão vívida o cruzamento entre fé, poder e fronteira quanto Brigham Young . Ele não foi apenas um líder religioso. Foi também um colonizador, político, arquiteto de uma nova sociedade — e, para seus detratores, um autocrata com um exército às costas e o céu na ponta da língua. Se o Velho Oeste foi palco de aventuras, violência e reinvenções, Brigham Young foi seu estadista mais teocrático. Num tempo em que a América marchava para o Pacífico empunhando rifles e bandeiras, ele empunhava as Escrituras — e desenhava, quase como um Moisés americano, um novo Israel no deserto. De Carpinteiro a Profeta   Nascido em 1801 em Vermont, criado em duras condições por uma família protestante, Brigham Young se formou no cadinho do povo comum: aprendendo marcenaria, pintura e resiliência. Foi em 1832 que sua vida tomou um rumo inesperado: converteu-se ao mormonismo, um movimento então marginal e altament...

John C. Frémont: O Explorador Que Quis Ser Imperador do Oeste

Na vasta tapeçaria da história americana, poucos nomes brilham com o mesmo misto de glória e controvérsia quanto o de John Charles Frémont . Para alguns, ele foi um herói romântico dos tempos da expansão — um homem que abriu trilhas em territórios selvagens, desafiou impérios e acendeu a chama do destino manifesto. Para outros, um aventureiro impulsivo, um soldado sem disciplina e um político que cavalgou rápido demais na direção de seus próprios sonhos. Mas em meio às planícies, montanhas e disputas políticas do século XIX, Frémont ergue-se como uma figura essencial para compreender o espírito norte-americano de conquista, risco e contradição. O Filho da América Incerta Frémont nasceu em 1813 em Savannah, Geórgia, fruto de uma relação fora do casamento entre uma viúva aristocrática da Virgínia e um imigrante francês. Desde cedo, carregava em si o peso do escândalo e a sede de afirmação. Estudou engenharia e topografia, entrando no Corpo de Engenheiros Topográficos do Exército. Era...

Clay Allison: o pistoleiro que ria enquanto matava

A poeira do Oeste americano não era apenas composta de areia e vento. Ela carregava consigo as histórias de homens que moldaram — ou deformaram — a fronteira em busca de honra, liberdade, vingança ou simples sobrevivência. Entre esses homens, poucos foram tão desconcertantes quanto Clay Allison , um pistoleiro cuja reputação oscilava entre o justiceiro e o assassino, entre o cavaleiro de um código moral próprio e o selvagem dominado por impulsos violentos. É fácil romantizar o Velho Oeste. Homens com chapéus largos, duelos ao pôr do sol, saloons esfumaçados e heróis que impunham a lei a tiros. Mas Allison pertencia a um tipo mais inquietante: o anti-herói. Um homem que ria enquanto matava, e que nunca pediu desculpas por ser quem era. Da Guerra à Fronteira: o nascimento de um homem perigoso Robert Clay Allison nasceu em 1840 no Tennessee, em uma América prestes a explodir em guerra civil. Ainda jovem, juntou-se aos Confederados durante o conflito, servindo sob o lendário general Na...

Joaquín Murrieta: o Zorro da vida real ou bandido vingador?

No coração turbulento da Califórnia da Corrida do Ouro , quando a poeira dos sonhos dourados se misturava ao sangue da injustiça, nasceu uma figura que ainda hoje provoca fascínio, admiração e medo. Seu nome era Joaquín Murrieta , e sua história ecoa nos saloons, nas páginas dos cronistas e nas telas de Hollywood. Para uns, foi um bandido cruel. Para outros, um Robin Hood latino. E há quem diga que foi o verdadeiro Zorro . Murrieta é uma dessas figuras que, ao estilo do Velho Oeste, existe simultaneamente na história e na lenda . É impossível separar um do outro sem arrancar as fibras do mito que o consagrou. Mas como bom historiador, e ainda mais à moda de Paul Andrew Hutton, é preciso mergulhar no pó da estrada para entender o homem por trás do sombrero. O ouro, o preconceito e o nascimento da fúria A história começa por volta de 1829, no México. Murrieta teria migrado ainda jovem para a Califórnia — então já anexada pelos Estados Unidos — durante a Corrida do Ouro , em busca d...

Daniel Boone: o caçador que abriu as portas do Oeste

Antes de cowboys e xerifes, antes de rifles Winchester e chapéus Stetson, havia florestas. Florestas densas, misteriosas, quase mitológicas. E nelas, caminhava um homem com roupas de couro de veado, rifle nas costas e olhos voltados para o oeste. Seu nome era Daniel Boone — e com ele nasceu o mito da fronteira americana . Se há um Adão no Éden selvagem dos Estados Unidos, Boone é esse homem. Ele não apenas atravessou a fronteira; ele a criou , transformando o desconhecido em destino. E, como Paul Andrew Hutton nos ensina, todo mito começa com um homem real — e termina com uma lenda moldada pelo tempo e pela memória nacional. Infância na orla do desconhecido Daniel Boone nasceu em 1734 na Pensilvânia colonial, em meio a uma América ainda britânica, onde os limites entre civilização e selva eram quase imperceptíveis. Sua infância foi marcada por florestas, caçadas e um talento precoce com o rifle. Era um menino que, segundo a tradição, “preferia os sussurros das árvores ao burburinh...