O dia em que o U-2 caiu: espionagem no auge da Guerra Fria
Imagine a cena: um avião solitário, voando a mais de 2 mil metros de altura, acima das nuvens e da maioria dos radares soviéticos, carregando não passageiros, mas câmeras espiãs com lentes capazes de enxergar até as placas de automóveis no coração da União Soviética. Era o U-2 , a joia da espionagem americana, o “pássaro negro” dos céus da Guerra Fria. O problema é que, em 1º de maio de 1960, esse pássaro levou um tiro certeiro e caiu no quintal do inimigo — e com ele, desabou também uma das maiores ilusões dos Estados Unidos: a de que podiam bisbilhotar impunemente a superpotência rival. As autoridades soviéticas já vinham farejando esses voos antes. O U-2 não era exatamente invisível — apenas inalcançável, até então. Mas Nikita Khrushchev, o líder da URSS, estava determinado a acabar com esse show aéreo americano. Assim, caças MiG-19 foram acionados e baterias antiaéreas S-75 Dvina ficaram prontas para cuspir fogo. Quatro horas depois do início da missão, perto de Sverdlovsk ...